A sessão solene evocativa da Revolução de Abril ficou assinalada pelas críticas do Presidente da República, sobre o alheamento dos jovens em relação à democracia, imputando aos partidos políticos a responsabilidade por este facto. Vasco Lourenço e Francisco Louçã não tardaram em lamentar, que a preocupação presidencial com os princípios democráticos não tivesse acontecido uns dias antes, por ocasião da visita à Madeira. O presidente da Associação 25 de Abril afirmou mesmo, que Cavaco fez uma “figura triste”, ao manter-se em silêncio perante o enxovalho que Jardim dirigiu à Assembleia Legislativa da ilha, apelidando os deputados da oposição de “bando de loucos”. Já durante a manifestação popular que voltou a encher a Avenida da Liberdade em Lisboa, Luís Fazenda começou por realçar a presença da juventude no desfile para, posteriormente, referir que o PR não tem autoridade política para reclamar da falta de participação dos cidadãos, pois foi um dos responsáveis pela não realização do referendo sobre a construção europeia em Portugal, uma boa oportunidade para os jovens participarem no debate político e nas decisões sobre o seu futuro.
Ainda bem que o sr. Presidente parece, agora, inquieto com o estado de apatia e angústia que invade a juventude, pois da década em que foi responsável pela governação do país, pouco mais restou que intimidação e cargas de bastonada policial sobre o movimento estudantil.
Permito-me concluir, recorrendo às palavras de coragem contidas na intervenção do jovem deputado José Soeiro (BE), proferida na Assembleia da República:
“Na política, como na vida, nós somos o que fazemos. Mas somos sobretudo o que fazemos para mudar o que somos. E se há coisa que o 25 de Abril nos ensina é que é sempre possível mudar tudo”.
Viva o 25 de Abril!