A história é simples. Há pouco mais de um mês, Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, foi condenado pelo Tribunal da Boa Hora a 5 mil euros de multa, pelo crime de tentativa de corrupção ao vereador José Sá Fernandes da C. M. de Lisboa. O suborno envolvia uma oferta de 200 mil euros.
Na passada semana, o mesmo Domingos Névoa foi eleito, por unanimidade, presidente da empresa intermunicipal de tratamento de resíduos sólidos, a Braval, que reúne seis autarquias do Baixo Cávado. Constitui sintoma de completa irresponsabilidade e ausência de vergonha, que representantes do poder local democrático (Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Vieira do Minho, Terras de Bouro e Braga) tenham apoiado sem reservas o nome do senhor empresário, como se nada de anormal existisse no seu curriculum público.
O Bloco de Esquerda reagiu de imediato, exigindo a destituição do corruptor Domingos Névoa do cargo para que foi eleito. Torna-se urgente que, enquanto líderes dos partidos a que pertencem os referidos autarcas, Sócrates, Ferreira Leite e Paulo Portas se pronunciem sobre este escândalo. É uma questão de coerência com os princípios de justiça e de verdade que tanto proclamam.
Como nota de rodapé, refira-se que em defesa do sucedido surgiu Pedro Machado, recentemente, nomeado director geral da Braval e, por acaso, genro de Mesquita Machado presidente da C.M. de Braga.