O carniceiro de Bagdad

Janeiro 20, 2007

A execução de Saddam Hussein foi censurada pelos governos Europeus e pelo Vaticano e aplaudida pelos Estados Unidos. O presidente Bush saudou o enforcamento do ditador como um passo importante para a “democracia” no Iraque ao contrário do comissário europeu para o desenvolvimento e ajuda humanitária, Louis Michel, que entende que a barbárie deve ser combatida com outros meios que não os da barbárie. Não pondo em causa a conduta facínora de Saddam é, no entanto, intolerável a exibição mediática dos pormenores que antecederam  a sua  morte,
 
Talvez seja oportuno reavivar memórias, algo adormecidas, evocando alguns factos que envolveram não só o apelidado carniceiro de Bagdad, bem como outras personalidades respeitáveis do mundo político.
 
Durante a guerra Irão-Iraque, que decorreu entre 1980 e 1988, o tal carniceiro recebeu dos seus amigos americanos centenas de milhões de dólares em subsídios, bem como armas e informações militares. Foi, justamente, nesta guerra que foram utilizadas pela primeira vez armas químicas, as mesmas que viriam a ser empregues, em Março de 1988, para massacrar milhares de civis curdos. A diplomacia americana de então, numa prova de excelso proteccionismo para com o seu aliado, decidiu atribuir a responsabilidade do crime aos iranianos. O carniceiro era então um bom rapaz.
 
Mas o governo de Portugal, sob a presidência do Prof. Cavaco Silva, também deu um pequeno contributo. Primeiro desmentiu, mas em Fevereiro de 2003 encarregou Durão Barroso de ir ao Parlamento reconhecer que o seu governo tinha vendido armas à ditadura de Saddam, pelo menos até 1990. O jovem Durão e o resto dos governantes não saberiam que o carniceiro tinha usado armas químicas contra o seu próprio povo?
 
Sublinhe-se, que apesar de conhecidos os actos brutais do carniceiro de Bagdad, existiu a designada Associação de Amizade Portugal-Iraque, dirigida entre 1986 e 1991 pelo histórico do PSD e emérito comentador televisivo Eng. Ângelo Correia. Será que os seus ilustres associados ignoravam  a realidade iraquiana ou valores mais altos se levantavam?
 
Enfim, o ditador está morto mas a hipocrisia continua bem viva.

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